O quão difícil é o trabalho de um arqueólogo?

archeology-bead-digO trabalho do arqueólogo é difícil. Mas não se pense que é por ter de enfrentar criminosos ou nazis de chicote na mão, ao melhor estilo dos filmes de Indiana Jones. Na vida real, os obstáculos e limitações à ação da arqueologia são de outra natureza. Vejamos alguns exemplos.

Oposição da sociedade civil

Ao contrário do que se possa pensar, a sociedade civil pode constituir um obstáculo ao trabalho do arqueólogo. Desde o proprietário do terreno ou do edifício onde existam artefactos arqueológicos, às empresas de construção que vêem a sua atividade suspensa pela empreitada arqueológica, até aos cidadãos anónimos que de alguma forma vêem o seu quotidiano afetado.

Trabalho de campo e de secretária

Poucas profissões conciliam de forma tão exigente o trabalho puramente “académico”, em termos de contato com livros e redação de artigos, com o trabalho ao ar livre, implicando a escavação, a limpeza pormenorizada dos vestígios encontrados, etc. O arqueólogo que não se encontre em boas condições físicas estará naturalmente limitado na sua capacidade de atuação em termos de trabalho de campo.

Restrições orçamentais

A carreira profissional do arqueólogo é difícil. Seja porque “salta” de projeto em projeto, seja porque as empreitadas só funcionam durante um determinado período ao longo do ano, seja porque as instituições não lhe fornece, aos chefes de projeto ou de departamento, os recursos que ele gostaria, o fator financeiro está sempre na linha do horizonte.

Determinação, precisa-se

O trabalho do arqueólogo pode ser demorado e desgastante. Semanas e meses podem passar sem que se descubra nada de concreto ou importante. Mesmo quando já existem indícios de algo importante, pode chegar-se à conclusão de que o conjunto encontrado não era assim tão importante, ou que pouco acrescenta em relação ao conhecimento já existente. Nesses momentos, o arqueólogo deve relembrar que uma ciência que estuda o tempo, no longo prazo, também não vê chegar resultados no curto prazo. Logo, uma das coisas mais importantes que um arqueólogo aprende no terreno é a importância de aproveitar os momentos de pausa, para não ficar completamente obcecado. Por isso, é comum encontrar um arqueólogo a beber um café ao pôr do sol ou a jogar um jogo no roletaonline.pt. Ele sabe que são estes pequenos momentos que o ajudam a manter uma mente pronta para todos os árduos desafios da profissão.