IMG_87641É frequente que os candidatos a arqueólogos se perguntem se se trata de uma carreira financeiramente lucrativa. A resposta deve ser dada com muita cautela. Certamente que, para os arqueólogos ligados a uma instituição de ensino e fazendo parte dos quadros de pessoal, a remuneração não será um problema. Contudo, mesmo para esses, que se podem considerar os arqueólogos de topo, é seguro afirmar que não se tornarão milionários. Em todo o caso, o revés de se tratar de uma profissão apaixonante é a garantia de que existirão mais candidatos que as vagas disponíveis. Neste sentido, a aplicação da lei da oferta e da procura acaba, inevitavelmente, por funcionar em desfavor dos candidatos a arqueólogos.

A certeza da incerteza

O orçamento para a arqueologia está sempre dependente da vontade e do interesse das instituições, nomeadamente universidades, autarquias e, indiretamente, do governo. Habitualmente, as empreitadas de escavação em locais já identificados são feitas nos meses de verão, quando o bom tempo o permite, o que significa que os projetos são financiados durante um período limitado. O risco da precariedade é, efetivamente, elevado. A única forma de escapar a esta situação é conseguir, de facto, uma entrada nos quadros de uma organização que inclua um departamento de arqueologia, mas as vagas são extremamente limitadas.

Paixão

O principal foco do arqueólogo deve ser, acima de tudo, a paixão por este ramo da ciência. Ser o primeiro a descobrir um artefacto perdido há séculos, poder interpretar na primeira pessoa aquilo que os antepassados nos deixaram, fazer a ponte com o passado – tudo isso deve despertar a paixão do arqueólogo, antes de tudo o resto. Certamente que, para os verdadeiramente apaixonados pela arqueologia e por todas as suas vertentes, o interesse genuíno e espontâneo será o primeiro ingrediente para que a paixão se torne em profissão.