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Machico, memória e História.

“Nos últimos dias tem vindo à baila a discussão em torno da data do Concelho de Machico e, como é frequente neste tipo de novidades crono-temáticas, há sempre mal-entendidos e reacções emocionais. A opinião da professora destacada pela Secretaria Regional da Educação Zita Cardoso é o exemplo desse estado de espírito.


É óbvio que Machico, enquanto cidade histórica e primeira localidade a acolher as naus dos Descobrimentos (e já presumivelmente antes, como conta a Lenda de Machim), detém uma condição única para se afirmar do ponto de vista do calendário histórico remoto.

É por demais sabido que uma parte da documentação manuscrita de Machico desapareceu e por conseguinte a data precisa da elevação a vila permanece em dúvida, assim como outros acontecimentos que irremediavelmente se perderam no tempo convulsivo das aluviões, dos piratas e da incúria humana.
O marco histórico que assiste à celebração do Concelho de Machico e, por inerência, um dado excepcional e único na História dos Descobrimentos Portugueses, revela-se no acto de doação da Capitania pelo Infante Dom Henrique ao primeiro capitão de Machico, Tristão Vaz Teixeira (8 de Maio de 1440).

A escolha do dia 9 de Outubro para celebrar o Dia do Concelho de Machico é contraditoriamente uma opção do profano celebrar uma “coisa”  que é do sagrado, aliás na tónica do Santo Amaro, em Santa Cruz, para aflorar outro exemplo.

Nesta caso, o feriado manter-se-ia a 9 de Outubro, mas a data escolhida para memorizar e honrar Machico seria a de 8 de Maio de 1440, na solenização da primeira doação de capitania no capítulo da História de Portugal. É mais um ponto para celebrizar e honrar Machico e a perpetuar a sua Memória.”

Diário de Notícias - Madeira, 12 de Julho de 2010.

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