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Global Pottery, Barcelona

 
Comunicação em Barcelona, na passada semana, com Fernando Castro (Global Pottery 1st International Congress on Historical Archaeology and Archaeometry for Societies in Contact, 7-9 de Maio de 2012). Consulte o resumo/abstract da comunicação (Chemical characterization of contemporary archaeological pottery from São Vicente, Madeira (old Machico Captaincy) aqui, ou leia em baixo.
 
 

  

 

 

Chemical characterization of contemporary archaeological pottery from São Vicente, Madeira (old Machico Captaincy)

 Fernando Castro[1] and Élvio Sousa [2]

Abstract: Global Pottery 1st International Congress on Historical Archaeology and Archaeometry for Societies in Contact, Barcelona, 7 e 9 de Maio de 2012.

 Archaeological prospecting conducted in 2008 in Lameiros, São Vicente led to the identification of an unusual pottery production site with oven, whose dating can go back to the 19th Century.

 The pottery centre has supplied a considerable area in the northern part of the Island of Madeira through the local markets, merchants and coastal shipping. The typological universe include containers for storage of liquids and solids, with printed and carved decoration, as well as tiles and bricks.

 A chemical characterization of samples of ceramic fragments obtained from the archaeological prospecting, as well as for local clays, was done by X-ray Fluorescence Spectrometry for 13 different chemical elements. With the analytical results, chemical groups have been determined by a multivariate statistical analysis of the hierarchical clustering type. The results allowed to form two groups, slightly different from each other, the first one with 47 samples, the second with 13 samples. Local clays are well included in the first group, even if relevant scattering has been observed in some minor elements, like calcium and manganese. The two groups differ especially in iron and titanium contents, the other elements showing a quite similar chemical composition pattern.

This work allowed to obtain a full characterization of local pottery productions from São Vicente, Madeira, enabling to help in the determination of the origin of archaeological ceramic fragments found in that island and elsewhere.


[1] Professor Catedrático da Universidade do Minho, Diretor do Laboratório de Análises Químicas da TecMinho – Guimarães.

[2] CHAM – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa e Universidade dos Açores.

Património em foco em Machico.


Iniciativa terá lugar na escola Básica e Secundária de Machico.

‘O Mar, a Terra e as Gentes’ serve este ano de mote ao V colóquio sobre ‘O património Imaterial e Material de Machico’. Uma iniciativa que terá lugar no dia 26 de Maio e que antecede o Mercado Quinhentista, nos dias 8, 9 e 10 de Junho, sob a temática ‘Expedições marítimas em demanda do preste João’.

Resulta de uma organização conjunta da Câmara de Machico, Archais (Associação de Arqueologia e Património da Madeira) e Escola Básica e Secundária de Machico.

Isabel Gouveia, responsável pela Archais e professora destacada no Solar do Ribeirinho, tutelado pelo município,

sublinha que este ano o colóquio realizar-se-á no auditório da escola Básica e Secundária de Machico e terá, pela primeira vez, um valor de inscrição.

O evento contará essencialmente “com prata da casa”, conforme sublinha, com destaque para a professora Fátima Freitas Gomes, da Escola Secundária Jaime Moniz, que tem uma tese de mestrado sobre Machico. A docente vai falar sobre ‘as gentes e as actividades ligadas ao mar’, do século XVII a meados do século XVIII.

Outros intervenientes serão Filipe Santos, técnico da Secretaria Regional de Cultura, Turismo e Transportes, que abordará a questão dos recursos marítimos, a pesca e o sal, e Nélio Pão, do Centro de Estudos de História do Atlântico (CHEA), que se vai dedicar aos naturalistas e às expedições científicas na Madeira.

Haverá também um olhar através da objectiva de Manuel Nicolau, que esteve ao longo de muitos anos ao serviço do DIÁRIO, sobre ‘o Pescador, a vida e o mar’, com base na sua experiência de fotógrafo.

O meio aquático será abordado por Alexandre Brazão, um dos maiores estudiosos da arqueologia subaquática na Região, e também pelo arqueólogo subaquático José António Bettencourt.

Segundo Isabel Gouveia este ano haverá ainda um roteiro pelos faróis da Ponta do pargo, de São Jorge e de São Lourenço. Esta é, aliás, uma das grandes novidades.

As inscrições para o colóquio decorrem até ao dia 16 de Maio, através de pagamento presencial no Núcleo Museológico de Machico.”

 

Sílvia Ornelas, Diário de Notícias – Madeira, Domingo 29 de Abril de 2012

Comunicação sobre a análise química das produções oláricas de São Vicente, Madeira.

Decorre, em Barcelona, entre 7 e 9 de Maio de 2012 o enconto “GlobalPottery 1st International Congress on Historical Archaeology and Archaeometry for Societies in Contact .

Fernando Castro e Élvio Sousa, apresentarão a comunicação que versará o tema “Chemical characterization of contemporary archaeological pottery from São Vicente, Madeira (old Machico Captaincy)“, reunindo os dados obtidos de um trabalho de parceria iniciados há cerca de 3 anos.

Consulte aqui o programa final.

 

ABERTO INSCRIÇÕES:V Colóquio “O Património Cultural Imaterial e Material de Machico: O Mar, a Terra e as Gentes”

Dando seguimento ao tema discutido no ano transacto e às inúmeras solicitações de continuidade da agenda temática, a Escola Básica e Secundária de Machico (Comissão Organizadora do Mercado Quinhentista) e a Câmara Municipal de Machico realizam o V Colóquio “Património Cultural Imaterial e Material de Machico”.

O evento tem por objectivo a discussão dos valores que integram o património cultural imaterial e material, procurando reforçar os laços de identidade e de singularidade locais.

 Programa

 26 de Maio de 2012, Sábado, Auditório da Escola Básica e Secundária de Machico

 09h30 – Abertura Oficial

Presidente da Câmara Municipal de Machico
Presidente do Conselho Executivo da EBSM

Comissão do Mercado Quinhentista de Machico

 10:00h – O quotidiano a bordo dos navios da expansão europeia (sécs. XVI-XVIII): uma aproximação a partir da arqueologia 

José António Bettencourt – Investigador do CHAM

 10:40h – Pausa – Café

11:00h – Recursos Marítimos – Pesca e Sal – na História de Machico: Alguns Apontamentos

Filipe Santos – Técnico Superior da Secretaria Regional de Cultura, Turismo e Transportes – Centro de Estudos de História do Atlântico

11:30h – Machico: as gentes e as actividades ligadas ao mar (século XVII a meados do século XVIII)

 Fátima Freitas Gomes – Docente do grupo 400 do Quadro de Escola da Escola Secundária Jaime Moniz. Mestre em História pela Universidade da Madeira.

12:00 – Debate

 12:45h – Almoço

 

14:30h – Retrospectiva da actividade arqueológica para a salvaguarda das riquezas arqueológicas do meio aquático da R.A.M

Alexandre Brazão – Assistente de Arqueólogo

 15:00 – Naturalistas e Expedições Científicas na Madeira: Notas Relativas ao Concelho de Machico

Nélio Pão – Técnico Superior da Secretaria Regional de Cultura, Turismo e Transportes – Centro de Estudos de História do Atlântico

 15:30- Pausa – Café

 16.00 – O Pescador, a Vida e o Mar. A experiência pessoal de um fotógrafo.

Manuel Nicolau – Fotógrafo e estudioso da História Local.

 16:30h – Debate

 17h – Encerramento

 Sábado, 02 de Junho 2012

 9h00/18h30 – Roteiro dos faróis (Ponta do Pargo, São Jorge, São Lourenço)

 

Valor da inscrição: 5€ – Atendendo à grande procura deste tipo de eventos e para efeitos de gestão logística, a inscrição é garantida através de pagamento presencial no Núcleo Museológico de Machico – Solar do Ribeirinho até ao dia 16 de Maio de 2012. [1]

Foi pedida validação à DRE.


[1] Esta situação resulta do facto de em encontros anteriores os eventuais interessados terem realizado o pré-registo sem posterior comparência no evento, inviabilizando a participação de outros interessados que se encontravam em lista de espera. Solicita-se a compreensão de todos.

Da Malásia ao Forte de Mombaça.

Atendendo ao lugar de honra que lhe foi dedicado pela Comunicação Social do país, vale a pena comentar o achado de uma medalha portuguesa na Malásia (por exemplo, DN de 23/02/2012).

Com efeito, as imagens que foram divulgadas são suficientemente precisas para que seja possível constatar que é praticamente igual a uma outra que foi achada nas escavações do Forte de Jesus em Mombaça, como será facilmente constatável na fotografia que se junta.

Nestas escavações, aliás, surgiram outras medalhas semelhantes e embora aquela que particularmente interessa tenha sido encontrada num contexto do séc. XVIII mas é do séc. XIII, nem representa a Rainha Santa Isabel mas sim a Imaculada Conceição e, como resulta dos trabalhos arqueológicos efectuados em Mombaça, constituiria um objecto de uso corrente entre os portugueses do séc. XVII.

A sua aparição no estomago de um tubarão é algo caricata, mas tal poderá corresponder à possibilidade de existirem mais exemplares e, talvez, aos restos de algum naufrágio.

 

 

De qualquer forma, graças ao excelente trabalho que foi desenvolvido no Forte de Jesus, torna-se fácil a identificação de um achado que surgiu em tão mediáticas condições.

João Lizardo

Disponível para leitura: tese de doutoramento – Ilhas de Arqueologia.O quotidiano e a civilização material na Madeira e Açores (séculos XV-XVIII).

Está disponível para consulta o conteúdo dois dois volumes da tese de doutoramento de Élvio Duarte Martins Sousa, apresentado à Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa: “Ilhas de arqueologia : o quotidiano e a civilização material na Madeira e nos Açores : (séculos XV-XVIII)”.

 Resumo:

“Nas “Ilhas de Arqueologia”, procura-se retratar o papel que os arquipélagos da Madeira e dos Açores assumiram no conhecimento dos testemunhos materiais pós-quatrocentistas. A especificidade cronológica e cultural de terem sido achadas e povoadas nas primeiras décadas do século XV (características que servem de terminus post quem na análise, por exemplo, da cultura material), conferem às ilhas o estatuto de “campo experimental” no âmbito da Arqueologia Moderna em Portugal. A civilização material reflecte-se nos momentos de ruptura e de continuidade da vida quotidiana. Após o povoamento, e consequente infra-estruturação dos territórios insulares, circuitos comerciais regionais e intercontinentais, aliciados pelo ensaio e pelo cultivo de novos produtos de exportação (açúcar e pastel), capitalizam a entrada e o fluxo de novos apetrechos e produtos. Por exemplo, nos lares mais abastados das ilhas, figuram novos artigos de importação oriundos do “Reino”, da Europa (Espanha, Itália, França, Países Baixos, Holanda, Inglaterra, Alemanha) e do Oriente. Os milhares de objectos (cerâmica, osso, vidro, metal e pedra), desenterrados de um palimpsesto sedimentar com mais de três séculos, são a fonte de aproximação ao complexo enredo das relações e das actividades sociais e económicas. A cerâmica é, indubitavelmente, o vestígio predominante. No dia-a-dia, as peças de barro local e importado materializam-se nas mais diversas tarefas: no serviço e na apresentação de alimentos e bebidas; no armazenamento e no transporte; no aquecimento e na iluminação; na higiene pessoal e da habitação; na actividade lúdica; e no uso artesanal e industrial. O retrato desta quotidianidade resulta do exercício dedutivo dos espaços e dos dados exumados. É um relato ou uma versão – pessoal, particular e circunscrita – daquilo que poderia ter sido uma parte dos acontecimentos colectivos à escala local e regional. A diacronia do tempo habitado sedimenta no espaço, quase sempre entulhado, um depósito de restos das gentes do passado. Perante esse repositório, quase mudo por natureza, a tarefa mais complexa foi a de fazer falar o silêncio da terra habitada…”

Palavras-chave: Madeira, Açores, Arqueologia Moderna, Arqueologia da Expansão Portuguesa, Quotidiano, Vida Material e Civilização Material.

Abstract:

“This investigation is focused in describing the role taken by the archipelagos of Madeira and the Azores in the knowledge of the material culture evidence after the 14th century. The chronological and cultural specificity of being discovered and settled in the early decades of the fifteenth century (characteristics that serve as the terminus post quem in the analysis, for example, of material culture), contribute to the status of “experimental field” as an important part of the Portuguese Early Modern Archaeology. The material civilization is reflected in the moments of rupture and continuity of everyday life. After the settlement regional and intercontinental trade channels, allured by the trial and by the cultivation of new products (sugar and pastel), capitalize the entry and flow of new devices and products. For example, wealthy households, include new items, imported from the “Kingdom”, Europe (Spain, Italy, France, Netherlands, Holland, England, Germany) and from the Orient. Thousands of objects exhumed from a three century-old palimpsest sediment, are the source of approaching to the complex story of relations and social and economic activities. Pottery is, by far, the predominant trace. In everyday life, local and imported potteries are materialized in several tasks: the service and presentation of food and beverages; in storage and transport, for heating and lighting, personal and housing hygiene; in the leisure activity, and the artisanal and industrial use. The portrait of this everyday life results from the deductive exercise of the spaces and items exhumed. It is a story or a version – personal, private and limited – of what could have been a part of collective events at local and regional levels. The diachrony of the inhabited time, settles, in an often cluttered space, a deposit of remains of the people of the past. Faced with this repository, almost silent by nature, the most complex task was to give voice to the silence of the inhabited ground…”

Key-words: Madeira and Azores Islands, Early Modern Archaeology, Portuguese Expansion Archaeology, Everyday Life, Material Life and Material Culture Civilization.

Mais antigos madeirenses identificados na R. Carreira.

Brian Philp, foto DN.

Foto BP.

“Com mais de 60 anos de actividade, Brian Philip foi quem detectou os restos humanos

1480 é o ano mais provável em que terão morrido dois indivíduos, de aproximadamente 30 anos, e de quem ainda existem restos mortais no solo da Rua da Carreira. Esses restos humanos foram recolhidos há um ano, durante uma obra da CMF para o lançamento de um tubo de colector de águas da chuva. Na altura, a obra, que teve como objectivo evitar as inundações na Rua da Carreira, terá tido acompanhamento arqueológico muito deficiente, por parte da entidade promotora.

O arqueólogo britânico Brian Philip, que se encontrava na Madeira, passou pelo local e, de imediato, apercebeu-se da importância dos vestígios que se encontravam no espaço intervencionado. Com os meios que tinha, começou a fazer recolha de vestígios e a fotografar.

 

“Como logo desconfiou, no local havia restos humanos, entre outros, como garrafas que agora estão a ser estudadas por um especialista americano.

Através da datação por carbono, num laboratório inglês, foi apontada a data de 1480, como a mais provável da morte das pessoas em causa. Essa datação custou 800 euros, que saíram do bolso do arqueólogo. É de supor que as pessoas em causa habitaram a Madeira na mesma altura que João Gonçalves Zarco.

Brian Philip entende que seria importante fazer testes de ADN, no sentido de descobrir se se tratam de indivíduos africanos ou europeus. Mas esse estudo custa cerca de dois mil euros, verba que não pode despender.

No local das obras, o arqueólogo encontrou provas de uma aluvião, no século XV, até agora desconhecida. Não é possível determinar se a aluvião terá sido a responsável pela morte dos indivíduos, mas essa é uma hipótese considerada.

Madeira tem 30 anos de atraso
Philip reconhece que, nos últimos anos, a Madeira tem evoluído bastante, em termos de arqueologia, mas não duvida em afirmar que tem uns 30 anos de atraso relativamente ao Reino Unido.

Élvio Passos, Diário de Notícias -Madeira, 21 de Fevereiro de 2012

Primeira escavação arqueológica no Funchal será divulgada este ano em livro.

Primeira escavação arqueológica no Funchal será divulgada este ano em livro

 

O trabalho da primeira escavação arqueológica realizada no Funchal, no Forte S.José, conhecido porque o seu proprietário declarou a independência de Portugal, que permitiu a recolha de 19 mil fragmentos será publicado num livro este ano.

Este projeto foi hoje divulgado pelo arqueólogo madeirense Élvio Sousa, coordenador do Centro de Estudo de Arqueologia Moderna e Contemporânea (CEAM), em conferência de imprensa que contou com a presença do cientista britânico Brian Philp, da Kent Archaeological Recue Unit, com 60 anos de experiência e há seis anos vem efetuando estudos, escavações e desenhos do forte.

Élvio Sousa mencionou que foram encontrados nas escavações 19 mil fragmentos, entre os quais balas de canhão em metal e pedra, pedaços de cachimbo, lamparinas a óleo, cerâmica, ossos que serviam para os soldados fazerem botões que “provavelmente eram vendidos no mercado local” e vestígios de jogos.

“O forte de S. José é bastante importante para a história da Madeira porque foi o único forte cientificamente escavado até agora e foi possível tirar daqui um conjunto de objetos muito relevantes para explicar a defesa da Madeira, como os militares se vestiam, que tipo de objetos é que utilizavam, como se iluminava o interior, o que comiam, uma série de informações que até ao momento se desconheciam por não se ter escavado outros fortes”, explicou o arqueólogo.

Além de permitir conhecer a “vida quotidiana no interior do forte”, Élvio Sousa realça que também “foi possível concluir que este forte foi construído na segunda metade do século XVIII, não é anterior, embora antes possa ter havido alguma coisa na zona de ancoragem e embarcações. Foi possível ver a evolução do forte do longo do tempo, desde o uso como fortificação até a ocupação inglesa no séc. XIX, porque foram retirados daqui muitos objetos relacionados com a cultura material britânica na Madeira”.

Também o arqueólogo britânico Brian Philp salientou a importância da “longa história” do forte, recordando a presença das tropas daquele país em 1801 e 1807 e mencionou que foi naquele rochedo que aconteceu o último enforcamento em Portugal, um soldado que assassinou um sargento.”O Funchal precisa desesperadamente de sérias escavações arqueológicas para recordar a sua herança enterrada, uma herança de 600 anos que está enterrada debaixo da cidade, pelo que é preciso uma equipa para fazer este trabalho”, defendeu o cientista.

Brian Phil destacou que “esta é a primeira escavação militar na Madeira e a primeira escavação técnica no Funchal, pelo que é muito importante por ser um começo”.

O forte de S. José tem estado nos últimos anos envolvido em polémica, depois do Estado português o ter colocado à venda em 1903. Em outubro de 2002 foi comprado pelo professor Renato Barros que solicitou o reconhecimento daquele território como “Estado soberano e independente” e o autoproclamou Principado da Pontinha”.

 

Agência Lusa, 4 de Fevereiro de 2012

Arqueólogos pedem mais proteção do património.

“O CEAM – Centro de Estudos de Arqueologia Moderna e Contemporânea e o Kent Archaeological Rescue Unit apresentaram, numa conferência de imprensa, os resultados das escavações arqueológicas no Forte de São José.

Cerca de 19 mil fragmentos foram descobertos e posteriormente catalogados, sendo que entre os mais significativos estão as “chamadas balas de canhão em metal e em pedra, os cachimbos e as antigas lamparinas para iluminar o interior das habitações”, explicou o arqueólogo Élvio Sousa.

O objetivo agora é passar para o papel estas descobertas e a sua importância para o património da Região Autónoma da Madeira. O livro bilingue (português e inglês) pode vir a público ainda este ano.

“O Forte de São José é bastante importante para a história da Madeira por duas razões: primeiro porque foi o único forte do Funchal escavado cientificamente e, em segundo, porque foi possível perceber a evolução do forte ao longo do tempo”, desde o uso como fortificação, prisão e até armazém.

Brian Philp, investigador britânico, não tem dúvidas que a Madeira, em todo o processo de desenvolvimento, com a construção de inúmeras obras, já perdeu muito património. E, por tal, sugere que os concelhos apostem em equipas de arqueologia que possam assegurar uma parte importante da história.

A cidade do Funchal “precisa desesperadamente de uma escavação arqueológica para recuperar toda a sua herança enterrada. Temos aqui cerca de 600 anos de história enterrada”.

O CEAM – Centro de Estudos de Arqueologia Moderna e Contemporânea e o Kent Archaeological Rescue Unit mostraram-se satisfeitos com a parceria, que tem claros benefícios para todos os portugueses. De igual modo, apesar do Forte de São José ser propriedade privada, ficou o agradecimento ao proprietário.”

Diário Cidade on-line,  texto e fotos Tânia Cova, 4 de Fevereiro de 2012.

Fontanários destruídos pela Câmara de Santa Cruz.

 

“Junta de Gaula denuncia destruição de património por parte do departamento de obras da autarquia de Santa Cruz.

A Junta de Freguesia da Freguesia de Gaula denuncia em comunicado que o departamento de obras da autarquia de Santa Cruz, cujo pelouro pertence ao vereador Jorge Baptista, está indevidamente a destruir “património classificado” de Gaula.

De acordo com o comunicado “os serviços da câmara estão inadvertidamente a destruir partes integrantes dos fontanários da freguesia de Gaula, que são imóveis legalmente classificados de Interesse Municipal, sem informação prévia da Junta e sem o acompanhamento técnico dos serviços do património da Direção Regional dos Assuntos Culturais”. O mesmo texto refere que a Junta de Freguesia de Gaula tentou durante toda a tarde contactar o vereador Jorge Baptista, os dois assessores do presidente da câmara no sentido a obter esclarecimentos sobre a matéria. Mas até ao momento não foi possível chegar à fala com esses responsáveis.

O comunicado adianta ainda que Junta de Gaula vai abrir um inquérito de apuramento de responsabilidades por lesão do “património de um bem tutelado pela junta e legalmente protegido”.

“Verifica-se, do ponto de vista técnico, a destruição dos azulejos históricos, que estavam em processo de restauro por técnicos credenciados, e a cimentização de cantarias moles, com métodos de intromissão ineficazes e incorrectos”, alerta o referido texto.

In Diário Cidade On-line, texto de Fabíola Sousa