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A Fonte dos Ingleses, Santo da Serra.

Foto DN

Veio recentemente a público a notícia de que a Fonte dos Ingleses, no Santo António da Serra, ameaça ruir irremediavelmente. A situação não é nova, mas tem necessariamente uma causa-efeito.

O registo patrimonial de classificação da chamada “Fonte dos Ingleses” foi iniciado pela ARCHAIS em 2000, com a colaboração do Dr. Emanuel Gaspar e do Dr. António Loja. Deste modo, trata-se de um imóvel classificado, com um raio de protecção legalmente afecto. As obras realizadas pelo Município há relativamente pouco tempo, aceleraram negativamente o processo de degradação do monumento, juntando-se o silêncio da entidade (DRAC) que compete supervisionar, de acordo com a lei, o património histórico classificado. Os preceitos internacionais salientam que a alteração espacial de um determinado monumento deve ser um processo cuidado e apenas objecto de última hipótese. A lei fala em conflito armado, que me parece não ser o caso.

Existem soluções mais eticamente adequadas, do que a simples transposição para outro local. As obras realizadas no caminho municipal lesaram gravemente o imóvel. Por exemplo, a falta da drenagem do pavimento executado está na origem do agravamento da estrutura.

No meu ponto de vista a DRAC deveria ter intercedido com celeridade na altura em que se alertou para os danos de uma intervenção no raio de protecção do património classificado e no caso flagrante do desrespeito da Lei de Bases do Património (Lei 107/2001). As competências daquela direcção regional não se resumem à sua “lei orgânica”. Resta questionar porque não agiu, não abriu inquérito aos responsáveis e não fez cumprir a lei, independente desse património estar na esfera municipal.

Élvio Duarte Martins Sousa

Arqueólogo Élvio Sousa ‘vê’ trabalho reconhecido.

Élvio Sousa e Brian Philp durante a cerimónia.

 

“Madeirense recebe Prémio de uma instituição em Bromley, na Inglaterra  

O trabalho de cooperação do arqueólogo madeirense Élvio Sousa com o Council For Kentish Archaeology, foi destacado por Brian Philp, presidente dessa credenciado instituição, ontem na entrega do prémio Europeu de Cooperação e Investigação Arqueológica -2009′, que decorreu no Hotel Porto Santa Maria.

Élvio Sousa ao agradecer a distinção de que foi alvo disse: “Brian Philp é o pioneiro pela arqueologia de risco. E fui apanhado de surpresa quando me informou em Setembro de 2009 que eu tinha sido distinguido com este prémio que dedico à Cultura da Madeira.”.

Élvio Sousa começou a dedicar-se à Arquelogia em 1998 e participou em escavações nos Açores, Almada e Madeira. “Há ainda muito a fazer para se saber mais sobre o passado histórico da Madeira”, disse.

Actualmente é o presidente do Centro de Estudos de Arqueologia Moderna e Contemporânea (CEAM).”

José Salvador, Diário de Notícias - Madeira, 6 de Fevereiro de 2010

Arqueólogo Élvio Sousa recebe prémio europeu.

 

Foto: Liliana Neto

 

Hoje, pelas 15 horas, Élvio Sousa, arqueólogo madeirense, recebe o prémio Europeu de Cooperação e Investigação Arqueológica-2009, que será entregue por Brian Philp, presidente do Council for Kentish Archaeology, numa cerimónia a decorrer no Hotel Porto Santa Maria. O galardão distingue o trabalho arqueológico e a cooperação a nível de cultura material entre investigadores desenvolvido pelo madeirense.

Diário de Notícias-Madeira, 5 de Fevereiro de 2010.

The archeologist Élvio Sousa said:

“I want to express my sincere gratitude for the honor of being chosen for the award for archaeology european co-operation.
I hope this approach and this award is a “gateway” to a stronger cooperation between our countries, united in the past and present history.

Today, the medieval and the post-medieval archaeology opens  the fabulous world about the everday life in the 15th and 16th centuries.
 
Indeed, Madeira has at its past history, a singular field of research for understanding the past and a remarkable moment that was the Portuguese Discoveries.


The Council for Kentish archeology is a federation with much prestige in England as well as its chairman Brian Philp, a specialist in urban and rescue archeology .
I am very delighted to receive this award and I hope that next year we can present the first publishing project on the archaeological research.”

Madeira, 5 Fevereiro 2010

 

“O Reino”

 

 

 

Einstein sempre reiterou que a imaginação e a criatividade eram a essência do conhecimento.
Todos nós sonhamos. Até morrer.

O “reino” do Professor Renato Barros, do Rochedo da Pontinha, dispõe de imaginação, de criatividade e do direito à concretização do sonho, enquanto fazedor de realidades invisíveis na inquietante seriedade actual. Por mais desatinada que seja a intenção e o objectivo do caminho, existem coisas que jamais poderemos julgar. Uma delas é o direito à imaginação.
Conheço alguns dos meandros da rocha, sobretudo o seu interior.
Em 2005, em trabalhos arqueológicos realizados, foi possível identificar um conjunto de dados que hoje mostram a raridade e a singularidade do local, até então a única fortificação alvo de uma intervenção arqueológica cientificamente conduzida.
Nesse projecto coube, também, a experiência do decano britânico Brian Phlip, precursor da arqueologia preventiva nas ilhas de Sua Majestade.
Há pouco mais de uma semana terminámos os trabalhos de limpeza do espólio. O resultado é verdadeiramente surpreendente.

Cinco anos após as investigações é bom que assim seja. Sobretudo, para todos aqueles que viram na “casca” do forte um sinal de inexistente interesse arquitectónico ou histórico. Todos os “engraxadores-mores” acabam, mais tarde ou mais cedo, por serem conhecidos como escravos das palavras e dos pensamentos dos outros.

Élvio Duarte Martins Sousa

Junta de Gaula adquiriu manuscrito inédito sobre origem do nome da freguesia

Documento de 1940 pertencerá ao espólio do futuro museu da freguesia  

“A junta de freguesia de Gaula, no concelho de Santa Cruz, adquiriu num alfarrabista de Abrantes um manuscrito inédito de João Cabral do Nascimento sobre a origem do nome daquela localidade da Madeira, confirmou a agência Lusa.

De acordo com o presidente daquela autarquia, Élvio Sousa, o documento tem um “carácter raro, tem certificado de autenticidade, é composto por quatro páginas e permitirá obter mais informação sobre a origem do nome da freguesia”.

Refere que existe uma “polémica histórica” nesta matéria, sendo que o nome daquela localidade é explicado com base na obra “Amadis de Gaula”, um romance marcante do ciclo de novelas de cavalaria da península Ibérica do séc.XVI.

O manuscrito data de 1940, custou à junta de freguesia de Gaula 80 euros e está em consulta pública, podendo os interessados obter uma cópia.

Élvio Sousa destaca que este documento pertencerá ao espólio do futuro museu daquela freguesia que tem uma área de 7,07 quilómetros quadrados e mais de três mil habitantes.

O manuscrito está a ser avaliado pelo historiador residente na localidade João Adriano Ribeiro, que disse à Lusa tratar-se de um documento “interessante, cuja autenticidade não está em dúvida, que levará algum tempo a analisar até porque a pressa é a inimiga da perfeição”.

“Não podemos esquecer que esta é a única freguesia relacionada com um romance de cavalaria, sendo que os nomes das suas personagens deram origem aos primeiros baptizados realizados em Gaula”, salienta.

“É semelhante ao que acontece agora com as pessoas a darem aos filhos os nomes de personagens de novelas”, sublinhou.

Para este historiador será agora interessante avaliar a relação deste manuscrito de Cabral do Nascimento com a versão conhecida do padre Alfredo Vieira.

Cabral do Nascimento nasceu no Funchal em 1897, foi um poeta, colaborador de importantes jornais e revistas da época, investigador da história dos princípios do povoamento das ilhas da Madeira e dos Açores, além de professor.”

 
Lusa,  05-01-2010

Amargo de doces lembranças.

Foto DN

“Ofereceram-me, pelo Natal, ‘Doce Lisboa: guia e receita das melhores pastelarias’, de Clara Azevedo e Luís Chimeno Garrido. Graficamente cuidado, com textos curtos e bonitas fotografias, este livro mostra a doçaria de qualidade que Lisboa oferece no dia-a-dia.

As pastelarias seleccionadas apresentam-se com uma breve nota histórica e exibem duas especialidades, sendo publicadas as respectivas receitas.

Trata-se de uma espécie de inventário das mais famosas pastelarias lisboetas, como a Antiga Confeitaria de Belém (1837), a Confeitaria Nacional (1829), a Benard (1868), a Versailles (1922), a Mexicana (1946) ou a Suíca (1922). Constitui também um roteiro da mais bem conceituada doçaria da cidade. Avulta ainda como registo de memórias e vivências urbanas.

Por certo, este livro despertará a gula. Mas também faz pensar. Imagine-se a elaboração de um álbum idêntico para o Funchal. Quais as pastelarias a seleccionar? Haverá, com certeza, algumas para escolher, pela qualidade dos seus produtos. E pela sua história, por aquilo que representam para a cidade ou para a ilha, quantas figurariam no projectado álbum? Onde estão esses conceituados e antigos estabelecimentos urbanos, que constituem tão importantes pólos de atracção noutras cidades? Como chegaram até aos dias de hoje os que ainda sobrevivem? Mantiveram as características peculiares? Imediatamente, surge na memória a velha Confeitaria Felisberta, da Rua das Pretas, fundada em 1837, por Felisberta Rosa. Encerrada nos anos oitenta do século passado, esta afamada casa jaz ao abandono.

Pela qualidade dos seus produtos, em especial bolos de mel, queijadas, fartes, morgados e compotas, foi, durante mais de um século, estabelecimento de referência do Funchal, frequentado pelos madeirenses e por muitos estrangeiros. Sobre esta confeitaria, há também diversas menções nas publicações periódicas, livros de viajantes e romances.

A imprensa registou a visita da Imperatriz Isabel, da Áustria, mais conhecida por Sissi, à confeitaria da D. Felisberta Rodrigues, em 23 de Dezembro de 1893, a fim de se “fornecer do magnífico doce que nesta casa se prepara”.

Pela sua história, a Confeitaria Felisberta carece da devida atenção por parte das autoridades. Bem sei que há problemas de arrendamento, herdeiros e outras questões legais. Contudo, o interesse público deveria prevalecer, quando a iniciativa privada se revela incapaz de conceber solução adequada.

A cidade não pode ficar indiferente à ruína progressiva do seu estabelecimento comercial mais antigo. Para bem do turismo e da cultura, urge reabrir a velha e reputada pastelaria. No estado actual, a “Felisberta” é o espelho do desinteresse pelas memórias da cidade. Reabilitada, a antiga confeitaria tornar-se-ia um estabelecimento procurado, não somente pelas suas especialidades, mas também pela sua história.

Há quem se dirija ao Monte para ver o túmulo do infeliz Carlos, imperador da Áustria e rei da Hungria. Com certeza, que também haverá quem se desloque à “Felisberta” para comer os doces que Sissi saboreou. Inventam-se coisas estranhas para atrair turistas, mas, incrivelmente, por vezes, não se dá atenção ao que já existe e poderia ser rentabilizado.

Já em Dezembro de 1993 escrevi sobre o estado da Confeitaria Felisberta, alertando para a importância da sua reabertura. Em finais de 1989 e inícios do ano seguinte, Rui Santos publicou o historial desta pastelaria no JM. Por essa altura, afirmava-se estar em estudo o futuro da confeitaria. Vinte anos depois, constata-se que nada foi feito. Todas as vezes que passo na Rua das Pretas observo a ruína da histórica confeitaria. Depois vêm-me doces lembranças das suas deliciosas queijadas, mas por pouco tempo, tal é o amargo sentido pelo desprezo a que foi votado este lugar de memórias da cidade do Funchal.”

Nelson Veríssimo, Diário de Notícias, Funchal, 3 de Janeiro de 2009.

 

 

Gaula cria comissão cultural e recreativa.

Foto DN.

 “A nova Comissão promoverá, em articulação com a autarquia, a cultura local 
 

Já surgem resultados das reuniões dos novos órgãos autárquicos da Junta de Freguesia de Gaula, agora liderada por Élvio Sousa, arqueólogo de formação, eleito pelo movimento de cidadãos ‘Juntos pelo Povo’.

A última reunião desta Junta de Freguesia, decorrida na passada segunda-feira, resultou na deliberação de medidas de actuação na área cultural.

O executivo decidiu avançar com a criação de uma Comissão Cultural e Recreativa de Gaula (CCRG), que terá o objectivo de promover, em articulação com a autarquia, a cultura e as tradições locais. Élvio Sousa explicou que desta comissão fará parte duas “iniciativas de animação cultural inovadoras, cuja divulgação será encetada, após reuniões de concertação, em Janeiro de 2010″.

A composição desta CCRG será assegurada por individualidades convidadas e por todos os artesãos de freguesia.

Esta autarquia também decidiu avançar com outra iniciativa original do ponto de vista da preservação do artesanato e do património cultural e que se revela numa campanha de comparticipação do restauro de ‘Meninos Jesus e figuras do Presépio’. Além disso, também visa valorizar o património cerâmico e de incentivar a criação artística dos presépios.

Élvio Sousa complementou a informação adiantando que esta iniciativa será promovida em parceira com a associação ‘TemploDourado’ e “destina-se a restaurar tecnicamente as imagens do presépio, algumas das quais do cermista mestre artesão [nascido na freguesia de Gaula] Silvestre Talasca”.

 
Marco Freitas, Diário de Notícias - Madeira, 20 de Novembro de 2009.

CAMPANHA DE RESTAURO DE IMAGENS DE MENINOS JESUS.

Foto: TemploDourado.

A Junta de Freguesia da Freguesia de Gaula está a promover uma  iniciativa que tende a contribuir para a preservação do artesanato e   do património cultural local.

Trata-se de uma campanha de Comparticipação do restauro de imagens em cerâmica de ”Meninos  Jesus e figuras do Presépio”, com o objectivo de valorizar o  património cerâmico e de incentivar a criação artística dos presépios.

A actividade, em parceria com a associação TemploDourado, destina-se  a restaurar tecnicamente as imagens do presépio, numa freguesia  onde   nasceu o ceramista mestre artesão Silvestre Talasca.

ARQUEOLOGIA EM “CASA DE FERREIRO”. Parte II.

 

Retoma-se, hoje, o tema anterior e que envolve uma acção de defesa do património do Forte de S. João Baptista, no Porto Moniz. Aqui se constata o perfil de actuação da Direcção Regional dos Assuntos Culturais (DRAC). Vejamos os dados:
1.        Em Março de 2000, e aquando de uma visita que visava a valorização do então Forte de S. João, no Porto Moniz, apresentámos, em reunião com a Autarquia, uma proposta de conservação patrimonial, com recurso à vertente arqueológica. Nessa proposta, que mereceu a aceitação da autarquia, sugerimos que a liderança do processo de recuperação e mesmo o acompanhamento arqueológico fosse coordenado pela DRAC.
2.        Dessa intenção demos conhecimento ao director João Henrique Silva (JHS) a 3 de Maio de 2000, e previamente à Câmara Municipal do Porto Moniz, a 2 de Maio.
3.        Curiosamente, a 17 de Maio de 2000 recebemos uma informação de JHS dando conta que não havia recebido da autarquia qualquer pedido ou colaboração para a valorização das obras do Forte. E aqui começam as contradições.
4.        O certo é que, a 15 de Março de 2000, o então Presidente António Germias de Sousa solicita à DRAC “o acompanhamento dessas obras, para que em conjunto possamos salvaguardar todos os interesses considerados pertinentes”. Antagonicamente, e dois meses passados, JHS informa “não ter recebido, até á data, qualquer solicitação da Câmara do Porto Moniz”.

Conclusão final: Apesar da concertação da ARCHAIS, a DRAC desmentiu a recepção do pedido de cooperação do município e a obra avançou, a passos largos, sem a necessária componente de valorização arqueológica e sem o indispensável aconselhamento técnico, sobretudo de imóvel com acrescido valor histórico. Analisadas as partes, ainda têm o descaramento de inscrever que a acção decorreu “sem pedido de autorização” associativa. Com efeito, para que a memória futura avalie e faça um julgamento imparcial disponibilizaremos, hoje, toda a documentação comprovativa desta opinião nesta plataforma digital.”

Élvio Duarte Martins Sousa, Diário Cidade, 16 de Novembro de 2009.

ARQUEOLOGIA EM “CASA DE FERREIRO”. Parte I.

Armazém histórico Ponta Delgada. Foto ES.

 

Desde o caso “Massapez”, no Campanário, em que o Tribunal do Funchal suspendeu a eficácia de uma acção da Direcção Regional dos Assuntos culturais (DRAC), por fazer parar um trabalho arqueológico de vital relevância na valorização do património cultural, que aquela instituição não pára de surpreender. Dentre das sumárias condenações pelo Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal e pela CADA, por efectiva inviabilização ao acesso aos documentos e à informação procedimental e não procedimental conta-se um caso, ainda fresco, e que interessa conhecer.

Num documento público fornecido pelo actual director João Henrique Silva (JHS), que dá conta da inventariação dos trabalhos arqueológicos na RAM, a DRAC anota, em termos incompletos e incorrectos, um acontecimento passado em 2000, envolvendo o Forte de São João Baptista, no Porto Moniz. Inadvertidamente, a DRAC assinala no inventário que a acção na defesa do património cultural da associação ARCHAIS decorreu “sem pedido de autorização”.

O exercício da prática arqueológica carece de autorização da entidade competente. Mas o que nunca se passou, pelo menos com as estruturas associativas de defesa do património, foi a realização de um trabalho arqueológico sem a necessária autorização. O referido inventário assinado por JHS passa uma informação errada e antagónica, cujo conteúdo é passível de prejudicar uns e beneficiar outros.

Como todo o erro, seja por negligência ou por omissão, é passível de correcção, servirá o presente texto de introdução ao esclarecimento cabal, sabendo-se à partida que a documentação tida pela DRAC lhes permite uma análise correcta e imparcial dos dados. Por razões de espaço, que os eleitores facilmente compreenderão, deixamos para a próxima segunda-feira, dia 16 de Novembro, a exposição clara e transparente de uma das muitas histórias da “mui publica” casa dos Ferreiros. Também com o reforço da plataforma digiral: http://ceam.pt.

 Élvio Duarte Martins Sousa, Diário Cidade, 9 Novembro de 2009.