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Machico, memória e História.

“Nos últimos dias tem vindo à baila a discussão em torno da data do Concelho de Machico e, como é frequente neste tipo de novidades crono-temáticas, há sempre mal-entendidos e reacções emocionais. A opinião da professora destacada pela Secretaria Regional da Educação Zita Cardoso é o exemplo desse estado de espírito.


É óbvio que Machico, enquanto cidade histórica e primeira localidade a acolher as naus dos Descobrimentos (e já presumivelmente antes, como conta a Lenda de Machim), detém uma condição única para se afirmar do ponto de vista do calendário histórico remoto.

É por demais sabido que uma parte da documentação manuscrita de Machico desapareceu e por conseguinte a data precisa da elevação a vila permanece em dúvida, assim como outros acontecimentos que irremediavelmente se perderam no tempo convulsivo das aluviões, dos piratas e da incúria humana.
O marco histórico que assiste à celebração do Concelho de Machico e, por inerência, um dado excepcional e único na História dos Descobrimentos Portugueses, revela-se no acto de doação da Capitania pelo Infante Dom Henrique ao primeiro capitão de Machico, Tristão Vaz Teixeira (8 de Maio de 1440).

A escolha do dia 9 de Outubro para celebrar o Dia do Concelho de Machico é contraditoriamente uma opção do profano celebrar uma “coisa”  que é do sagrado, aliás na tónica do Santo Amaro, em Santa Cruz, para aflorar outro exemplo.

Nesta caso, o feriado manter-se-ia a 9 de Outubro, mas a data escolhida para memorizar e honrar Machico seria a de 8 de Maio de 1440, na solenização da primeira doação de capitania no capítulo da História de Portugal. É mais um ponto para celebrizar e honrar Machico e a perpetuar a sua Memória.”

Diário de Notícias - Madeira, 12 de Julho de 2010.

DRAC e CEAM arrumam “caso Massapez”.

 

Foto DN.

 

 “CEAM e élvio sousa pediam 7.500 euros de indemnização mas o caso está resolvido.

Em causa um processo por difamação na sequência da suspensão da autorização para o CEAM e a Archais intervirem no Solar do Massapez.

Foi uma polémica que fez correr muita tinta no Verão de 2007. Com comunicados trocados e publicados na ‘Net’ entre o Centro de Estudos de Arqueologia Moderna e Contemporânea da Madeira (CEAM) e a Direcção Regional dos Assuntos Culturais (DRAC).

Tudo por causa da recuperação do histórico ‘Solar do Massapez’, no Campanário por parte do CEAM e da Archais (Associação de Arqueologia e Defesa do Património da Madeira), sob a fiscalização e tutela da DRAC.

Depois de, a 14 de Novembro de 2006, ter dado autorização à Archais e ao CEAM para intervirem no Solar, a DRAC, em Dezembro de 2006, achou que as exigências regulamentadas para as intervenções arqueológicas não estavam a ser respeitadas e suspendeu a autorização concedida. As Associações levaram o caso ao Tribunal Administrativo do Funchal (TACF) movendo uma providência cautelar. A Justiça deu razão às Associações e suspendeu a decisão da DRAC de suspender os trabalhos arqueológicos.

Na sequência da decisão do TACF, a 27 de Junho de 2007, as Associações divulgaram um comunicado no site dos arqueólogos (Archport), aplaudindo a decisão do Tribunal e tecendo considerações sobre a actuação o governo (leia-se DRAC).

A DRAC não gostou do comunicado e, a 23 de Julho de 2007, três dos seus técnicos (uma antropóloga, um arqueólogo e uma arquitecta) assinaram um contra-comunicado (esclarecimento da opinião pública) que fizeram publicar no Archport historiando toda a controvérsia em torno do Solar do Massapez e tecendo considerações que o CEAM e o seu presidente, Élvio Sousa consideraram ‘difamatórias’.

O processo seguiu para o Tribunal de Santa Cruz com Élvio Sousa e o CEAM  (acusação particular) a processarem os três técnicos da DRAC e o director regional, João Henrique Silva pela prática do crime de difamação.

Ao processo-crime (cuja acusação particular foi acompanhada pelo Ministério Público) foi acoplado um pedido de indemnização cível em que o CEAM e Élvio Sousa reclamavam dos quatro demandados uma indemnização de 7.500 euros (2.500 para o CEAM e 5.000 para Élvio Sousa).

Segundo conseguimos apurar, recentemente, as partes chegaram a acordo com a DRAC e os seus técnicos e afirmarem que não tinham intenção de difamar e o CEAM e Élvio Sousa a desistirem da instância.”

Emanuel Silva, Diário de Notícias -Madeira, 11 de Julho de 2010.

Arqueologia madeirense na Universidade de Lisboa.

Foto DN.

Foto DN.

 

 

 

 

“O arqueólogo madeirense Élvio Sousa foi convidado a participar no próximo dia 7, segunda-feira, no ‘Memórias, Discursos e Práticas Sociais’, um seminário promovido pelo Centro de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com sessões semanais destinadas a todos os interessados e em especial aos estudantes e investigadores de História Medieval.

Élvio Sousa vai em representação CEAM - Centro de Estudos de Arqueologia Moderna e vai fazer uma apresentação intitulada ‘Ilhas de Arqueologia. O Quotidiano e a Civilização Material na Madeira e nos Açores (sécs. XV-XVIII)’, onde aborda sobretudo a arqueologia madeirense, em especial a evolução da investigação em Santa Cruz e no Funchal. A comunicação é parte do trabalho que o investigador está a realizar para a sua tese de doutoramento, que é mais abrangente e dedicada à Arqueologia da Madeira e dos Açores e que deve entregar em Abril de 2011.

Segundo o especialista, houve um trabalho pioneiro em Santa Cruz com a intervenção nas ruínas do Convento da Piedade por parte de António Aragão e o Funchal destacou-se também pelos muitos acontecimentos pautados por achados ocasionais que despertaram o interesse das elites intelectuais, havendo mesmo a sugestão de criação de um Museu Arqueológico no início do século XX, contou. “O que muita gente não sabe, particularmente em Lisboa, é que a arqueologia começou na Madeira muito prematuramente também”. Segundo o seu trabalho, nos anos 60 já havia e, de uma forma já tecnicamente feita, foi iniciada por D. António Aragão na cidade de Santa Cruz, na ruínas do referido convento. Em termos de escavações, há registos no séc. XIX nas Ilhas Selvagens e em Machico. “É uma informação que é muito importante não só para a Madeira, mas para a própria Faculdade porque os métodos que foram adoptados, com a preocupação técnica que foi tida em conta, é bastante para explicar o nascimento da arqueologia em Portugal e que a Madeira foi importante, tal como foram os Açores na mesma altura, mas com outra pessoa”, justificou.
O Forte de São José, a Quinta dos Padres, o Solar Dona Mécia e a Capela da Esperança são exemplos que vai levar a Lisboa.”

Diário de Notícias-Madeira, 5 de Junho de 2010.

 

 

 

Memórias, Discursos e Práticas Sociais.

Consulte aqui o programa.

É já amanhã. III Colóquio Património Cultural Imaterial de Machico.

Vestígios da cultura Hindu reaproveitados em construções portuguesas

Vestígios da cultura Hindu.

Vestígios da cultura Hindu reaproveitados em construções portuguesas.

Na história da humanidade dificilmente se encontrarão relatos escritos que nos informem sobre a cultura, a tecnologia, os modos de vida daqueles a quem, a partir de um certo momento, é atribuído o estatuto de colonizado.

Será por demais óbvio que a Expansão Portuguesa não escapou a esta regra e, por isso, é natural que as obras levadas a cabo pelos portugueses nos surjam como se tivessem nascido a partir do nada.

Para mais informações, consulte a página da Arqueologia da Expansão Portuguesa

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Textos:

- João Lizardo, Vestígios da cultura Hindu reaproveitados em construções portuguesas.

Algumas “simples” notícias a respeito dos vestígios portugueses na União Indiana

Trabalhos no Convento de São Francisco de Chaúl, Abril de 2010.

Algumas “simples” notícias a respeito dos vestígios portugueses na União Indiana.

Para o observador desprevenido tudo indica que o governo indiano está a fazer um grande investimento na recuperação dos monumentos portugueses nesse país, investimento que se afigura como surpreendente face ao interesse que no nosso país dedicamos aos nossos próprios monumentos.

Na Índia, tal como em qualquer outro país, as operações de restauro de construções antigas traduzem-se sempre num delicado equilíbrio entre a opinião das populações e a opinião dos especialistas. E, por isso, alguns destes restauros poderão eventualmente destruir mais do que conservar.

Para mais informações, consulte a página da Arqueologia da Expansão Portuguesa
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Textos:

- João Lizardo, Algumas “simples” notícias a respeito dos vestígios portugueses na União Indiana.

Museus com colecções de Arqueologia.

Foro DR.

Isabel Gouveia, Presidente da Direcção da Associação de Arqueologia e Defesa do património da Madeira defendeu, na semana passada, a sua dissertação de Mestrado subordinada ao tema “As Colecções de Arqueologia dos Museus na Região Autónoma da Madeira. Uma proposta de Abordagem pedagógica dos Acervos”
A tese desenvolve o potencial adormecido ao nível dos objectos e artefactos que detêm um historial arqueológico no arquipélago, a saber, os museus do Açúcar, Quinta das Cruzes, Solar do Ribeirinho, Colombo, Rota da Cal e Junta de Freguesia de Machico.

Foto DR. Mambros do Júri.Da Direita para a esquerda: Jorge Oliveira, João Carlos Brigola, Filipe Themudo Barata, Leonor Rocha, Élvio Sousa.

O trabalho, avaliado com nota excelente pelo júri vem, também, demonstrar a qualidade e a determinação dos recursos humanos envolvidos no associativismo regional há mais de dez anos. Na verdade, a perseverança e a notoriedade não se adquirem de um dia para outro. Conquistam-se com esforço e trabalho sério, de anos e anos de dedicação à causa da memória cultural.
Serve o exemplo para tecer uma constatação. Há gente que ainda acredita que a reputação e o mérito são valores adquiridos por herança. Há coisas que se compram ou que se copiam. Outras, porém, são conquistadas passo a passo com seriedade e creditação pessoal.

 

Élvio Sousa, Diário Cidade, 2 de Maio de 2010

Novo livro de Emanuel Gaspar.

Foto DR.

 

 

“Emanuel Gaspar, professor, Licenciado em História de Arte e Mestre em Património, lançou recentemente o livro “A Obra de Raul Chorão Ramalho no Arquipélago da Madeira”, da editorial Caleidoscópio.

Gostaria, nesta curta abordagem, de invocar a competência e a seriedade científicas de Emanuel Gaspar, não só pela excelência que teve e que continua a ter na defesa do património cultural da Madeira e Porto Santo como, também, pelo exercício de cientificidade com destacado mérito pessoal.

Uma das obras pioneiras no capítulo da inventariação do património arquitectónico regional foi o Inventário do Património Imóvel do Concelho de Machico (em edição da ARCHAIS e da Câmara Municipal de Machico), cujo texto de base se deveu à pena de Emanuel Gaspar. No ano passado, teve um papel destacadíssimo num outro projecto de levantamento: o Inventário do Património Imóvel da Ilha do Porto Santo, em edição da câmara municipal local.

Recordo a sua actividade associativa através da formação, criação de projectos de classificação (como foi, entre muitas, a do edifício da Misericórdia de Santa Cruz e a Fonte dos Ingleses, no Santo António da Serra) e a intervenção pública em matéria de defesa do património cultural (como foi a reacção ao aniquilamento do Solar Dona Mécia, no Funchal).

O associativismo é uma “Escola”, com letra grande. Aprende-se o valor da cidadania. Conquistam-se experiências e virtudes democráticas. Pesam-se ideias e ideais que nos permitem ver as coisas com moderação e equilíbrio, sem cair no “graxismo” de uma terra pequena e no fundamentalismo exacerbado.

Com Emanuel Gaspar, os frutos nascem, não pecam. Existe, além do conhecimento de base, uma sensibilidade nata de dar visibilidade às coisas quase invisíveis.

Élvio Duarte Martins Sousa, Diário Cidade, 16 ed Maio de 2010.

Emanuel Gaspar lança livro sobre Chorão Ramalho.

Foto DN.

Victor Mestre apresentará o livro de Emanuel Gaspar sobre Chorão Ramalho.

“A obra será apresentada pelo arquitecto victor mestre, sexta-feira na ‘casa da luz’  
  

 

Um livro de Emanuel Gaspar, intitulado ‘A Obra de Raul Chorão Ramalho no Arquipélago da Madeira’, com a chancela da editora ‘Caleidoscópio’, será lançado no próximo dia 14 de Maio, sexta-feira, pelas 18 horas, no Museu da Electricidade do Funchal (’Casa da Luz’).

A apresentação deste estudo estará a cargo do arquitecto Victor Mestre, autor e investigador na área da Conservação e Restauro do Património Arquitectónico.

Emanuel Gaspar de Freitas é natural de Machico, e é licenciado em História da Arte pela Universidade do Porto. É, também, mestre em Arte e Património, pelo Departamento de Arte e Design da Universidade da Madeira.

Professor efectivo do ensino básico e secundário, foi responsável pela Secção de Património da Associação de Arqueologia e Defesa do Património da Madeira (ARCHAIS), onde trabalhou como destacado da Secretaria Regional de Educação e Cultura.

Orador de conferências sobre o Património Móvel e Imóvel, é ainda autor de projectos de classificação de edifícios históricos do arquipélago da Madeira. Tem trabalhos publicados na área do Património Cultural, e é co-autor de alguns inventários concelhios do Património Imóvel da RAM.

Sobre Raul Chorão Ramalho, diz Emanuel Gaspar que, nesta sua investigação, procurou valorizar, através de testemunho e análise, o importante património moderno que a RAM possui e deve a este arquitecto. Desde pesquisas em bibliotecas e arquivos à recolha de depoimentos relevantes de personalidades que lidaram com Chorão Ramalho, Emanuel Gaspar esforçou-se ao máximo por aprofundar este estudo.”

 
Luís Rocha, in Diário de Notícias, 12 de Maio de 2010.