Main menu:

Fontanários destruídos pela Câmara de Santa Cruz.

 

“Junta de Gaula denuncia destruição de património por parte do departamento de obras da autarquia de Santa Cruz.

A Junta de Freguesia da Freguesia de Gaula denuncia em comunicado que o departamento de obras da autarquia de Santa Cruz, cujo pelouro pertence ao vereador Jorge Baptista, está indevidamente a destruir “património classificado” de Gaula.

De acordo com o comunicado “os serviços da câmara estão inadvertidamente a destruir partes integrantes dos fontanários da freguesia de Gaula, que são imóveis legalmente classificados de Interesse Municipal, sem informação prévia da Junta e sem o acompanhamento técnico dos serviços do património da Direção Regional dos Assuntos Culturais”. O mesmo texto refere que a Junta de Freguesia de Gaula tentou durante toda a tarde contactar o vereador Jorge Baptista, os dois assessores do presidente da câmara no sentido a obter esclarecimentos sobre a matéria. Mas até ao momento não foi possível chegar à fala com esses responsáveis.

O comunicado adianta ainda que Junta de Gaula vai abrir um inquérito de apuramento de responsabilidades por lesão do “património de um bem tutelado pela junta e legalmente protegido”.

“Verifica-se, do ponto de vista técnico, a destruição dos azulejos históricos, que estavam em processo de restauro por técnicos credenciados, e a cimentização de cantarias moles, com métodos de intromissão ineficazes e incorrectos”, alerta o referido texto.

In Diário Cidade On-line, texto de Fabíola Sousa

 

 

Vamos deixar perder as magníficas nádegas da Sé do Funchal?

“O título que acima surge não tem nada a ver com supostos e pretéritos comportamentos de alguns membros do clero da Diocese (aliás, se assim fosse, ter-se-ia escrito: “rabos”) mas resume-se apenas à normal e sempre difícil tentativa de querer chamar a atenção dos possíveis leitores para o assunto que se pretende abordar.

Neste caso, sucede que as paredes exteriores da sala do Cabido da Sé do Funchal em tempos foram cobertas de pinturas cuja existência é raríssima no nosso País, tendo em atenção que se situavam ao ar livre e que estavam dotadas de uma qualidade artística que também é superior ao normal.

Essas pinturas terão sido obra do mesmo artista que efectuou aquelas que se observam no muros do jardim da Quinta das Cruzes e ambas foram atribuídas a um possível pintor italiano que se tivesse deslocado à Madeira nos anos trinta do século XVIII, conforme estudo de Joaquim Inácio Caetano, publicado no número dedicado à Sé do Funchal da revista “Monumentos” (DGEMN, n.º19, Set./2003).

Entre os ténues vestígios que, de momento, são observáveis, destaca-se um painel dedicado a Adão e Eva, do qual só sobrevive a metade inferior dos respectivos corpos, mas onde o pintor deixou bem clara a diferença entre a parte posterior das figuras masculina e feminina, que são bem reconhecíveis devido às suas nádegas.

Na pintura realizada em Portugal, no século XVIII, serão bem raras as representações de nus (a Inquisição espreitava e “assava” quem tivesse essa audácia) mas, será seguramente de uma raridade extrema a diferenciação sexual dos corpos efectuada apenas com recurso aos “traseiros” das personagens.

Em consonância com a opinião do abalizado especialista que se debruçou-se sobre esta matéria no artigo da revista atrás nomeada, podemos estar certos de que, na Madeira existe um conjunto de pinturas de assinalável qualidade e que sobreviveram ao ar livre, em condições que, provavelmente, serão únicas no nosso país.

Mas, enquanto a obra do mesmo pintor que se encontra no jardim da Quinta das Cruzes foi objecto de medidas de conservação, sucede que o conjunto da Sé do Funchal se encontra em total abandono e num aceleradíssimo estado de degradação que faz recear pelo seu total desaparecimento a curto prazo.
Constituiria, “seguramente”, um notável exagero supor que essa degradação teria a ver com algum excesso de puritanismo face às nádegas que forneceram o título para este texto, mas, de qualquer forma, o conjunto das pinturas não se resume a esse motivo e, por isso, é mais provável que nos encontremos perante o habitual desleixo em matéria de conservação do património artístico.

Porém, e, correndo o risco de repetir o que já atrás se afirmou, estas pinturas são quase únicas no nosso país, e, por isso, justificam-se esforços para a sua manutenção.”


João Lizardo, Dezembro de 2011

Medalhão do Sec. XIV cedido para exposição.

 

“Peça em cobre é bem de interesse nacional. Para ver amanhã no Solar do ribeirinho
A peça de um coleccionador particular fica em exposição até ao início de Março
 
 
O Núcleo Museológico de Machico Solar do Ribeirinho tem em exposição amanhã uma peça do século XIV, classificada bem móvel de interesse nacional. O medalhão de cobre pertencente a um coleccionar privado madeirense foi cedido temporariamente para integrar o programa do ‘Município da Cultura – Machico 2011′.

Trata-se de um medalhão de cobre, tendencialmente circular, do século XIV, que se destinava a enfeitar os arreios dos cavalos ou mesmo alguns especiais cães de caça, uma peça decorativa do quotidiano senhorial da Idade Média, descreve a organização. A peça pode ser vista a partir das 18 horas. Fica patente ao público até ao início de Março.

A origem deste medalhão não foi determinada. A única informação disponível indica apenas que foi adquirida a um vendedor de ferro-velho de Santarém em meados da década de sessenta, tendo este dito na altura que foi encontrado num terreno agrícola da zona.

Independentemente da origem, a peça é valiosa. “Uma peça semelhante, mas em prata, foi exibida no núcleo da Torre de Belém da XVII Exposição Europeia de Arte, Ciência e Cultura, em 1983, estando nesse caso a sua decoração centrada na letra Y, o que, em associação com a zona da batalha de Aljubarrota, foi visto como podendo tratar-se de um símbolo de D. João, Mestre de Avis, mas tal opinião esqueceu que o nome do rei de Castela também começava pela mesma letra”, acrescentam.

Esta é a décima peça de valor que integra as exposições temporárias do Solar do Ribeirinho. Há dois anos que o espaço museológico apostou nesta política de levar ao público peças relevantes, fruto de incorporações, doações definitivas, ou ainda de mostras casuais.”

Paula Henriques, Diário de Notícias, 15 de Dezembro de 2011

Identificadas peças dos séc. XVI e XVII.

 

O CEAM – Centro de Estudos de Arqueologia Moderna e Contemporânea anunciou ontem novos avanços na investigação a achados arqueológicos.

Novos dados científicos permitem à equipa formada pelo professor doutor Fernando Castro (Universidade do Minho) e pelos arqueólogos Élvio Sousa e João Lino Moreira (CEAM Madeira) estabelecer novas origens geográficas de mercadorias cerâmicas importadas entre os séculos XV e XVII para os arquipélagos da Madeira, Açores e Canárias, com destaque para as formas cónicas dos pães de açúcar.

Os mais recentes dados científicos apontam Aveiro como local de importação das formas de pão de açúcar. Antes dos novos avanços julgava-se serem provenientes e fabricados nas oficinas de Lisboa.

Por outro lado os investigadores identificaram, pela primeira vez, através de um processo químico, peças fabricadas por oleiros insulares nos séculos XVI e XVII.”

Artur de Freitas Sousa, In Diário de Notícias- Madeira, 25 de Novembro de 2011.

Santa Maria, Açores-costumes.

Arquivo: CEAM.

Posturas Municipais de Machico – 1780.

 


“‘Posturas Municipais de Machico – 1780?

O livro ‘Posturas Municipais de Machico – 1780? é lançado esta quinta-feira em Machico.

O Solar do Ribeirinho acolhe hoje, dia 24 de Novembro, pelas 18h30, a apresentação e lançamento da colecção “História e Cultura do Território da Antiga Capitania de Machico”, intitulada “Posturas Municipais de Machico (1780)”.

Este livro é o primeiro número da Colecção editorial: “História e Cultura do Território da Antiga Capitania de Machico”, lançado pela edilidade local e coordenado por Élvio Sousa e Filipe dos Santos

Com a criação desta nova colecção, a Câmara Municipal “abre a porta” para a publicação e divulgação de documentos, de estudos ou ensaios relevantes para o conhecimento histórico do Município de Machico.”

João Toledo (adaptado), Cidade Net, 20 Novembro de 2011.

“Dectetive da História”

Foto: Teresa Gonçalves DN.

Élvio sousa diz que não sonha em encontrar tesouros. A sua preocupação é preservar a História da Madeira que está escondida um pouco por toda a Região.

As peças têm de ser olhadas e estudadas com cuidado.

Uma peça de cerâmica do século XVI, embora partida e incompleta, pode contar ou ser peça de uma história. É isso que faz um arqueológo, diz Élvio Sousa.
Élvio sousa diz que não sonha em encontrar tesouros. A sua preocupação é preservar a História da Madeira que está escondida um pouco por toda a Região.

As peças têm de ser olhadas e estudadas com cuidado.

Élvio Sousa não sabe dizer ao certo quando se ‘apaixonou’ pela Arqueologia, mas hoje não se arrepende de ter seguido esta área da História e fala à MAIS do potencial arqueológico da Região.

Todas as crianças e muitos adultos sonham poder um dia encontrar um tesouro. Mas para alguns, o tesouro pode não ser uma arca qualquer cheia de ouro e jóias. Para alguns, o tesouro pode ser um ‘caco’, uma moeda de outras eras, um vestígio de uma civilização, de outros tempos. É exactamente isso que acontece com o arqueólogo Élvio Sousa.

Sem precisar o momento em que decidiu enveredar por esta ciência, porque sempre foi “um gosto”, Élvio Sousa, hoje mestre e doutor em História Regional e Local, admite que a vontade de procurar algo que está ‘escondido’ quase que faz parte do código genético do ser humano. “Tentar procurar qualquer coisa que não é visível, sobretudo algo que esteja enterrado ou debaixo de água, desperta curiosidade… Penso que toda a gente sonha em encontrar um tesouro. Essa faceta de encontrar um tesouro, seja ele motivado por uma lenda ou não, é sempre algo que acompanha o trabalho arqueológico, embora a arqueologia é uma actividade científica e construtora de conhecimento”, explica.

E é com este mote que nos mostra alguns objectos, que podem ser vistos por muitos como ‘velharias’ . Um pente feito em osso, que no século XVI era usado por homens ou mulheres, parte de uma bracelete feita em vidro colorido, a protecção da ponta de uma espada, um osso de onde eram ‘extraídos’ os botões usados em peças de vestuário, uma fivela de um sapato…

Todas estas peças mostram de alguma forma como viviam as pessoas naquelas épocas, como é que era o quotidiano das gentes, dos homens e mulheres que ajudaram a fazer da Madeira o que a Região é hoje. É isso que Élvio Sousa gosta de descobrir, um pouco como se fosse um detective da História, diz com um sorriso e um brilho no olhar. Quando os arqueólogos descobrem algo, tentam limpar e depois construir uma narrativa, algo que supostamente tenha acontecido, à volta da peça descoberta. “É tudo anacrónico”, admite. “Com estes objectos é possível construir vários tipos de histórias. Temos é de analisá-los na ‘cena do crime’…”

É o mesmo brilho dos olhos que sobressai quando fala em achados importantes, como uma noz de uma besta (arma de arremesso usada na época dos Descobrimentos). A peça encontrada na Madeira é a quarta descoberta em todo o país. “É um grande achado”, diz, a par e passo com cotas de malha, usadas como protecção de armas como espadas, punhais e adagas. “Isso mostra como as pessoas viviam na altura, porque ainda não havia armas de fogo e isso as fontes não falam”.

Foto: Teresa Gonçalves, DN.

São também objectos como estes que comprovam o potencial arqueológico da Região. A maior parte das pessoas até pode pensar que, por a Madeira ter sido ‘achada’ no princípio do século XV, não tem um valor tão elevado como o caso do Egipto, de Itália ou da Grécia, países com milhares de anos e de civilizações históricas. Mas afinal, a questão do valor, pelo menos em Arqueologia, não pode ser vista de uma forma tão simplista. “A Madeira era um campo geológico natural até ser pisada pelos portugueses”, recorda Élvio Sousa. É por isso que afirma sem qualquer hesitação que “a Região Autónoma da Madeira é um imenso campo arqueológico. Temos é de saber quais os sítios mais importantes para poder recolher esses arquivos da terra, que devem ser retirados e estudados para potenciar o conhecimento”.

Daí a necessidade  de criar centros históricos e de fazer muita da chamada ‘Arqueologia Preventiva’. “Andamos a chamar a atenção para isso há mais de 15 anos”, diz o também  responsável pelo Centro de Estudos de Arqueologia Moderna e Contemporânea. Porém, o facto dos objectos de estudo desta ciência estarem ‘escondidos’, não facilita a sensibilização das entidades, das empresas e de quem tem responsabilidades, por exemplo em matéria de construção. E, garante, ainda há muito por descobrir. “Em cada esquina há um eventual sítio de interesse arqueológico. Caberá aos técnicos definir quais são e onde estão”, diz.

Mas os trabalhos arqueológicos não acontecem apenas por acaso. Há três lendas que suscitaram trabalhos na Região, já durante o século XIX. Uma delas está relacionada com a Capela dos Milagres, aquela que é entendida como a mais antiga edificação da Madeira, onde, segundo alguns documentos, Robert Paes, em 1840, terá encontrado a Cruz de Machim.

Também o alegado tesouro do Capitão da Kidd ou das Selvagens suscitou vários trabalhos arqueológicos. Um dos mais famosos aconteceu quando uma equipa inglesa, sem qualquer autorização, escavou grandes trincheiras nas ilhas, em busca do mítico tesouro. 

Já mais recentemente,  nos anos 70 do século passado, dois investigadores escavaram a Igreja da Madalena do Mar à procura de vestígios do rei  polaco Ladislau III, que desapareceu na Batalha de Varna em 1444 e que, segundo a tradição oral, refugiou-se na Madeira sob o ‘nome’ de Henrique Alemão.

Sem querer negar histórias da tradição oral, Élvio Sousa diz que o grande problema de fazer uma investigação tendo por base uma lenda é que, na maior parte dos casos, “as pessoas estão de tal forma imbuídas na história que, quando encontram qualquer vestígio, não conseguem separar o que é ciência e o que muitas vezes já pode ser fantasia…”.

Mas vai mais longe: “hoje em dia, com os meios tecnológicos que existem, é perfeitamente possível fazer uma prospecção, por exemplo nas Selvagens, e ver se existe ou não tesouro. Bastaria um mês, ou um mês e meio, para descerrar a lenda”.

Essa, porém, não consta das suas listas de prioridades. Para Élvio Sousa, os tesouros arqueológicos não se limitam a jóias, a moedas e a lingotes de ouro, como se diz existir nos baús deixados algures pelo Capitão Kidd. A verdade é que, depois de mais de dez anos de dedicação à arqueologia, Élvio não consegue dizer qual o achado mais importante. “São tantos…. Gosto de vê-los em conjunto”, confessa. Mesmo assim, admite que tem uma certa predilecção pelos tostões de prata encontrado na Alfândega de Machico…

E quando perguntamos sobre a descoberta mais desejada, Élvio Sousa não sabe o que responder. Admite já ter passado a fase de sonhar com a descoberta de um tesouro, o do Capitão Kidd ou de outro qualquer que ande escondido por aí, mas há outros ‘potes cheios de moedas’ ainda por descobrir. Tudo porque a Arqueologia “é um mundo fabuloso, muito entusiasmante. Temos é de ter um bom discurso para passar isso para os outros, porque todos os dias se perde pedaços da História da Madeira”. E para preservar, não é necessário que sejamos arqueólogos. Basta estarmos sensibilizados para a importância daquilo que às vezes pode parecer um simples ‘caco’ ou uma moeda de outras eras.”

  Texto de Ana Luísa Correia e Fotos Teresa Gonçalves . Revista MAIS – Diário de Notícias,  Domingo, 20 de Novembro de 2011.

Madeira produziu cerâmica no passado.

Trabalhos em S. Vicente. Foto:AB.

Parte da cerâmica usada no passado na Madeira era de produção regional, revelou um estudo que ainda decorre, coordenado pelo arqueólogo João Lino Moreira, com a colaboração do arqueólogo Élvio Sousa e com a direcção científica do professor doutor Fernando Castro. As conclusões deste projecto de investigação científica relativamente à origem das cerâmicas de construção e as argamassas será apresentado em Janeiro de 2012 na Universidade de Barcelona.

“Havia um grupo que era fabricado aqui na Madeira e no Porto Santo. Essa é uma das grandes novidades”, revelou Élvio Sousa, bastante satisfeito com o resultados trazidos das análises realizadas às cerca de 30 amostras . “As peças que se utilizavam no dia-a-dia para comer e cozinhar eram de cerâmica e uma das coisas que este projecto veio trazer é a origem geográfica, de onde é que vinham”. Falta agora apurar em relação às restantes de que parte do continente foram trazidas.

A análise química e mineral realizada no laboratório da Universidade do Minho, TecMinho, permite chegar à composição exacta das matérias e depois, por comparação com a base de dados que tem a Universidade, é possível determinar com bastante precisão se as cerâmicas vieram de Aveiro, de Lisboa, de outro ponto da Europa, explicou o arqueólogo. Os resultados finais serão disponibilizados até Janeiro.

As amostras enviadas foram retiradas do conjunto de mais de 250 da arqueologia da Madeira. Vão do século XV ao XVIII e são de Machico, Santa Cruz, Funchal, Porto Santo, Calheta e Santana. De 25 a 27 de Janeiro realiza-se um congresso sobre cerâmica na Universidade de Barcelona. É no âmbito deste que o grupo vai apresentar uma comunicação com estes dados.

O ‘Estudo físico-químico das cerâmicas de construção e argamassas do Arquipélago da Madeira’ candidatou-se ao plano de bolsas para visitantes do Centro de Ciência e Tecnologia da Madeira. Vai responder a questões ligadas à proveniência geográfica plasticidade e resistência das cerâmicas, inspiração e imitação de formas e decoração cerâmica, produção, comercialização e consumo de cerâmica a nível regional.”

Paula Henriques, Diário de Notícias, Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011.

DRAC propõe congresso regional de Património.

 

 

 

“O Museu da Baleia recebe, hoje e amanhã, o III Encontro Regional do Património

Está a decorrer, no Museu da Baleia, o III Encontro Regional do Património. A iniciativa é da Câmara Municipal de Machico e da ARCHAIS – Associação de Arqueologia e Defesa do Património da Madeira.

Na sessão de abertura, hoje pela manhã, o diretor regional dos Assuntos Culturais, Henrique Silva, sugeriu um congresso regional sobre o património, nas suas várias vertentes: histórico, edificado, natural, museológico.

«Talvez fosse interessante pensar em algo como um grande congresso regional, onde se conseguisse, por um lado, sistematizar a informação disponível, mas também demonstrar que o tema património é abrangente e que a concorrência entre as diferentes metodologias reforça o direito de cidadania do tema na opinião pública e nos media».

O diretor regional acrescentou, neste contexto, que não se pode lidar com estas matérias apenas por afeto, apenas por gosto. «Património implica estudo, implica definição de metodologias e muito rigor».

E para além da importância do património, para a identidade dos madeirenses, a questão assume grande relevo em termos do turismo. «Trabalharmos estes dados numa perspectiva de torná-los activos culturais», contribuindo assim para um nicho de mercado específico e que, se bem trabalhado, poderá ter sucesso.

Isabel Gouveia, directora da ARCHAIS – Associação de Arqueologia e Defesa do Património da Madeira, adiantou que este III Encontro Regional do Património, seis anos passados sobre a segunda edição, visa “desenvolver o espírito crítico na área do conhecimento do património cultural”, bem como fomentar a partilha de informações entre as várias associações.

Hoje fala-se sobre o património, na sua globalidade, mas amanhã as intervenções versarão o património no concelho de Machico. A este propósito, o presidente da Câmara Municipal de Machico, António Olim, destacou o empenho das entidades públicas e privadas na afirmação da identidade cultural.

O Solar do Ribeirinho, a ARCHAIS – Associação de Arqueologia e Defesa do Património da Madeira e o Museu da Baleia, apesar das muitas críticas feitas ao investimento, são disso bons exemplos.

 Tânia Cova, 18 de Novembro de 2011, Cidade Net aqui:http://www.diariocidade.pt/?p=3820

Região investe pouco na arqueologia preventiva”

O arqueólogo Élvio Sousa considera que na Região há “uma falta de vontade política para legislar” na área da arqueologia.
“Como Fazer História com Cacos, Pedras e Ossos? Problemáticas da discursividade de um mundo material que não carrega um texto a três dimensões” é como se intitula a conferência que irá decorrer hoje, pelas 18h00, no auditório do Centro de Estudos História do Atlântico (CEHA). Inserido no painel de História e Cultura Material do CEHA, do Governo Regional, o referido evento terá como orador Élvio Sousa.

Na ocasião, aquele responsável abordará a forma como o arqueólogo e o historiador das fontes materiais “hoje é capaz de dar visibilidade às coisas que não trazem um texto a três dimensões”.
“Os objetos, as estruturas, não trazem, na maioria das vezes, um texto escrito, tal como as fontes escritas. Portanto, nós fazemos um pouco aquele trabalho de dectective de procurar as escassas referências que ficam nos determinados contextos, no sentido de tentar construir um percurso histórico à volta dessa informação”, explicou o arqueólogo.

No entanto, Élvio Sousa lamenta o facto da arqueologia feita na Madeira ainda incidir muito na investigação do relatório em vez de incidir mais numa arqueologia preventiva.

“Ao contrário, por exemplo, do arquipélago dos Açores, que tem investido bastante na parte de arqueologia preventiva, através de empresas que fazem trabalhos arqueológicos em áreas sensíveis, aqui na Madeira, além de não haver um diploma regional que rege a arqueologia, não se tem apostado essencialmente nesta fase preventiva”, apontou o arqueólogo, acrescentando que as autarquias do Funchal e de Machico “mais depressa têm feito essa ação preventiva” do que o próprio Governo Regional.

Refira-se que essa ação preventiva baseia-se em fazer “cumprir a lei”, nomeadamente a lei 107/2001, de 8 de Setembro, que estabelece as bases da política e do regime de proteção e valorização do património cultural.

“A referida lei estabelece que as obras de construção civil, feitas em determinados centros históricos ou em edifícios de interesse patrimonial, devem ser antecedidas de trabalhos suportados com a visão científica do arqueólogo. Temos de ter consciência que quando não há esse acompanhamento é a história da Madeira que se perde”, advertiu Élvio Sousa.

Aquele responsável frisou, também, que não há falta de arqueólogos na Região, mas sim “uma falta de vontade política” para legislar. “O essencial para a Madeira é criar projetos de investigação devidamente enquadrados e haver uma pedagogia dos departamentos do governo em relação às empresas e às próprias câmaras que intervêm nos centros históricos para salvaguardar a informação”, defendeu.

Em relação à decisão de criar uma carta arqueológica única para os três arquipélagos (Madeira, Açores e Canárias), uma das conclusões tomadas no III Encontro de Arqueologia das Ilhas da Macaronésia, que ontem terminou nos Açores, Élvio Sousa refere que tal decisão é importante.
Porém, “a carta arqueológica que se fala – modéstia à parte – foi a associação ARCHAIS que, em 1998, lançou esse tema”, concluiu o arqueólogo.”

Cidade Net, em : http://www.diariocidade.pt/?p=3428